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No princípio era o verbo, mas e a internet?

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A máxima pela qual se inicia o livro bíblico de João – “No princípio era o verbo” – carrega consigo um fundamento fatalista que, interpretado através de prisma agnóstico, demonstra a relação de submissão do desenvolvimento humano diante de sua capacidade de comunicação. O verbo, per si, já pressupõe comunicação.

Do surgimento da nossa comunicação, do nosso princípio, período em que a transmissão se dava supostamente através do conjunto som-gesto e da associação objeto-signo, aos atuais sistemas de videoconferência, nota-se que a evolução dos artifícios e ferramentas que possuem como fim a transmissão de informações condicionou a própria evolução do ser humano. Neste sentido são os argumentos que justificam o ocaso do Neanderthal e a permanência do Cro-Magnon. Enquanto o primeiro, primata de pouca conversa e poucas palavras, perecia em tribos isoladas, o segundo, mais sociável e, principalmente, de vocabulário sofisticado, desenvolvia novos meios de sobrevivência através da permanente troca de informação entre seus clãs. Não obstante, pode-se afirmar que os meios de comunicação são tão essenciais ao desenvolvimento do indivíduo quanto a própria informação. Ponto para o Cro-Magnon, que se comunicava mais e melhor!

Evoluindo este raciocínio, verifica-se facilmente a relação de dependência que qualquer sociedade mantém com os meios de comunicação que, genericamente ou pontualmente, adota. Verifica-se, também, as características e peculiaridades que estes meios e tecnologias de comunicação imprimem na cultura de um povo apenas pelo fato de serem utilizadas. Se se imaginasse, por exemplo, a sociedade ocidental contemporânea sem a contribuição dos meios audiovisuais para a transmissão de informação em seu desenvolvimento, certamente a imagem não seria desta sociedade que conhecemos. Também, retificando e parafraseando mais uma vez o escrito de João por um prisma agnóstico, poderia se afirmar que, grosso modo, “todas as coisas foram feitas por meio do verbo e pelo meio no qual o verbo se transmitiu“.

Assim, se um indivíduo deseja evoluir com sua sociedade ou até um pouco além, deve ele observar, além da necessária relevância e legitimidade de cada informação, a eficiência dos meios pelos quais se pode comunicar.

Atualmente, o mundo, de forma geral, dispõe de inúmeros mecanismos de possibilitam o fluxo de informações em tempo real. Dentre estes, o advento e popularização da internet significou um dos avanços mais expressivos em toda história da comunicação humana. A partir desta rede de computadores interligados em âmbito mundial, é possível se verificar informações dos mais diversos assuntos em fontes e correntes teóricas distintas. Também, outro grande avanço possibilitado pela globalização da informação é o fato de que os entraves de caráter cultural que impossibilitavam a circulação da informação se mostram frágeis perante a necessidade, que sempre é produto de seu tempo. Censuras explícitas acerca de determinados assuntos, como as adotadas pelo governo Chinês, mesmo que utilizando recursos extremamente avançados, brevemente cessarão.

Revogando-se as particularidades e limitações, o fato é que qualquer pessoa pode ser compreendida como fonte, transmissor e receptor de todo o conhecimento. Potencialmente, qualquer indivíduo pode acessar todos os dados dos mais diversos gêneros e áreas do conhecimento, bem como publicá-los para todos os demais, independente de seu conhecimento acerca do que se pretende tratar. Tão importante quanto a troca de informação, então, é o teor relevante do que se publica.

Partindo para a observância dos aspectos da doutrina jurídica e de todas as áreas acadêmicas das quais se faz necessário o conhecimento para o estudo do Direito, tem-se um aglomerado de teorias contrapostas, sobrepostas e interligadas, onde cada sociedade, cada grupo, cada classe e cada contexto histórico possuem direta contribuição para o que se define como justo. Mais do que nunca, sob o pressuposto da universalidade do Direito, hoje não se pode ter como fundamentos jurídicos proposições unilaterais. Erro semelhante ao da ignorância voluntária é o de abster-se quando se deve intervir, omitindo observações quando se julgam relevantes.

É no sentido de interação, colaboração e comunicação que o site Jurisciência busca se fundamentar, possibilitando aos estudantes, professores e profissionais ligados às disciplinas da Doutrina Jurídica um ponto em comum.

Sintam-se convidados a participar desta comunidade, discutindo e expondo opiniões, materiais e artigos que sejam do interesse de todos os participantes.

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