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John Coltrane – Coltrane’s Sound

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Coltrane’s Sound é um dos discos mais fascinantes da carreira de John Coltrane, e não é arriscado dizer que é o melhor entre todos os que foram gravados pelo selo Atlantic. Concebido originalmente em 1960, durante as mesmas duas sessões de 24 e 26 de outubro que produziram algumas faixas de My Favorite Thing e a maior parte de Coltrane Plays The Blues, Coltrane’s Sound foi lançado apenas em junho de 1964.

Além de condensar o melhor da sua linha pós-bop, também apresenta a formação do quarteto clássico em seu auge. Em verdade, McCoy Tyner (Piano), Elvin Jones (Bateria) e Steve Davis (Contra-baixo) aparecem com menos solos e conduções, mas quando o fazem o resultado não é diferente da perfeição.

A faixa que abre o disco é The Night Has A Thousand Eyes, uma composição de Buddy Bernier e Jerry Brainin. Um dos pontos altos desta versão é o primeiro bloco, que se repete como intervalo das improvisações do Coltrane. Executam com Steve Davis marcando a tônica de forma percussiva e o Tyner em uma variação de poucas notas, enquanto o Jones ataca produzindo um ritmo quase latino/caribenho e o Coltrane solando o tema principal. Outro destaque é a improvisação do Tyner que se inicia aos 03m45s, na qual ele percorre tanto o tema principal como as variações em tensões e resoluções.

Central Park West, a segunda faixa, já faz lembrar um pouco standards como Naima, Welcome e Everytime We Say Goodbye. Curta, lenta e com frases de poucas notas, parece ser uma espécie de retrato que o Coltrane vê ou uma história que ele conta. A falta de detalhes que transmite, porém, só é percebida quando se dá atenção aos outros instrumentos, que com exceção do Tyner que arrisca sair da frase-chave em sua condução em um breve solo, dão apenas um suporte discreto à Coltrane.

Em Liberia, por sua vez, Coltrane já começa a dar mais liberdade à sua criatividade. É fácil perceber aí o início da fase que marcará sua passagem pela Impulse Records. O tempo em que estende as frases parece ser além do que o fôlego permite, e sempre consegue encaixar mais uma dezena de notas. Essa impressão de busca pela transposição do limite não parece ser tão estranha quando se considera a força com que o Jones ataca a bateria e a fixação com que Tyner e Davis se prendem às notas que tencionam a harmonia.

A quarta faixa é reservada à Body and Soul, um standard composto por Edward Heyman, Robert Sour, Frank Eyton e Johnny Green. A marcação exata e repetitiva do Jones e do Davis enfatiza o piano do Tyner e os solos do Coltrane de forma que a condução se torna densa e instigante. Quando se chega à apresentação do Tyner, a cozinha já é assimilada de forma tão imediata que quase se despercebe que o refrão parece transformar a música em outra.

Equinox, como se diz, só não é perfeita porque acaba. Elogio pouco é bobagem para a quinta faixa do Contrane’s Sound. Ela reúne as melhores performances, possui um tema central vicioso e todos os instrumentos têm lugares ímpares e funcionais. Coltrane se utiliza de melodias curtas e repetitivas, mas a harmonia bluesy conduzida pelo Tyner e o Davis deram o corpo exato que o Coltrane precisava. O solo do Tyner segue a mesma linha dos solos do Coltrane, e é genial a simplicidade de progressão de três notas feita pelo Davis na qual se passa quase toda a execução.

Em Satellite, a última faixa do disco, Coltrane leva o bebop/hard bop até o seu limite, e o Steve Davis consegue manter um ritmo alucinado em suas progressões sem se perder ou se sobrepor à condução do Coltrane. Como em Liberia, Coltrane estende a duração das frases, que se tornam cada vez mais complexas na medida em que se distancia do tema central.

John Coltrane – The Night Has A Thousand Eyes

John Coltrane – Central Park West

John Coltrane – Liberia

John Coltrane – Body and Soul

John Coltrane – Equinox

John Coltrane – Satellite

John Coltrane – 26-2

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